
🎧 Ouça a Mensagem na voz de La Jardinera:
Minhas queridas sementes,
Em uma aldeia perto de um povoado, havia uma senhora que havia ficado viúva e tinha uma ovelhinha muito jovem, bonita, preciosa, da qual ela cuidava com muito carinho.
Ela a mimava, dava-lhe comida, dava-lhe banho, cuidava muito bem dela, todos os dias a levava para passear pelos prados e, em casa, estava sempre, sempre cuidando dela.
E dizia:
— Que feliz estou, ovelhinha, porque você está linda! Este ano deu mais lã do que nunca, que maravilha! Veja, este ano, com a sua lã, vou comprar várias coisas para a casa e também vamos nos preparar para o inverno, para não passarmos frio. Você vai ver como poderá dormir bem, porque terá uma cama cheia de palha e será ainda mais bem cuidada.
A senhora amava muito sua ovelhinha, porque era a única companhia que tinha.
E a ovelhinha também amava sua dona.
Mas a senhora pensou:
— Bem… e se eu mesma cortasse a lã? Talvez economizasse um pouco de dinheiro. Vou cortar a lã e depois levá-la para vender. Assim economizo um pouco.
Então decidiu fazê-lo.
Vestiu uma calça, colocou um avental, pegou a ovelhinha, como costumam fazer, e também uma tesoura.
E começou a cortar a lã.
Mas, como nunca tinha feito isso antes, começou a cortar e, junto com a lã, às vezes cortava um pedacinho da pele, outras vezes um pedacinho da orelha, outras vezes um pedaço da carne.
E a ovelhinha estava sofrendo.
Até que, de repente, parou e disse:
— Dona, por que a senhora está me machucando? Por que está me fazendo sofrer?
A dona olhou para ela.
A ovelhinha disse:
— Olhe para as suas mãos… Elas estão cheias de sangue. Só para economizar um pouco de dinheiro, a senhora está me machucando. Se queria me matar, poderia ter me levado ao matadouro. Tenho certeza de que lá eu teria morrido de uma forma mais rápida e teria sofrido menos.
E, se o que queria era apenas a lã, deveria ter chamado um tosquiador. Ele teria cortado a minha lã corretamente. Ela permaneceria branca e limpa, teria muito mais valor e a senhora poderia vendê-la por um preço melhor. Mas veja o que está fazendo…
Então a mulher olhou para ela e respondeu:
— Sim, você tem razão. Apenas para economizar um pouco de dinheiro, eu a machuquei, fiz você sofrer e ainda sujei a lã. Agora terei ainda mais trabalho para lavá-la e, acima de tudo, machuquei justamente quem eu tanto amo.
E a abraçou.
A moral desta mensagem acontece, em algum momento, em praticamente todas as famílias.
Às vezes, para economizar, queremos consertar alguma coisinha por conta própria.
Por exemplo, outro dia a chave ficou presa no carro.
Tentamos tirá-la, tentamos de todas as formas, até que finalmente dissemos:
— Não… vamos acabar estragando tudo. E se ela quebrar lá dentro? O que vai acontecer?
Foi exatamente como aconteceu com a ovelhinha.
Para cada trabalho existe um profissional.
E, para cada tarefa que precisamos realizar, devemos chamar um especialista.
Há muitas pessoas que gostam de fazer pequenos reparos e fazem isso muito bem.
São habilidosas, sabem consertar as coisas.
Mas, quando não conhecemos o assunto, vale muito mais a pena chamar quem realmente sabe fazer, porque, muitas vezes, o que parecia barato acaba saindo muito caro.
Por isso, mais uma vez, minhas sementes, quando não souberem fazer alguma coisa, informem-se, procurem um especialista. O resultado será melhor e vocês ficarão mais felizes, porque, pelo menos, estará bem feito. Eu garanto.
Uma vez eu quis montar um chalé.
Mas um amigo me disse:
— Vamos colocá-lo diretamente sobre o cimento.
Eu pensei:
— Mas, se ele ficar diretamente sobre o cimento e o chalé é de madeira, quando chover a água vai infiltrar e a madeira vai apodrecer.
E ele respondeu:
— Não, porque está sobre o cimento.
Mas a madeira estaria em contato direto com o cimento.
Percebi que ele não tinha entendido e expliquei novamente:
— Olha, precisamos levantá-lo um pouco.
Ele respondeu:
— Mas pesa muito, não conseguimos.
Então eu disse:
— Bem, vamos perguntar a um amigo.
Perguntamos:
— Fulano, como fazemos?
Eu já estava pensando em chamar um senhor que tem uma pá mecânica.
Então ele respondeu:
— Não precisa. Com o macaco de um carro dá para fazer.
Fiquei de boca aberta.
Na verdade, todos nós ficamos.
Então ele pegou o macaco… na verdade, o de uma caminhonete de outro vizinho.
Colocou ali e, em apenas dois minutos, o chalé foi levantado.
Depois colocamos uma base na altura correta.
Em francês se chama moilon; em espanhol, tabiques… enfim, blocos de concreto.
E pronto.
Agora o chalé ficou elevado, nivelado, perfeito.
Pode chover à vontade.
Pelo menos a madeira não vai apodrecer.
Mas isso aconteceu porque trabalhamos em grupo.
Já falei para vocês sobre isso: trabalhar em grupo, sim, sempre.
A ideia de um complementa a do outro.
Mas depois cada um vai para a sua casa e cada um mantém sua privacidade.
A privacidade é muito importante.
Para mim, ela é sagrada.
Porque cada pessoa tem o direito de fazer o que quiser dentro da própria casa.
E o respeito é fundamental.
Assim, minhas sementes, vejam esta história dessa senhora que, por estar sozinha, quis economizar um pouco de dinheiro.
Depois percebeu que o que realmente tinha valor era a companhia da sua ovelhinha.
Era ela quem vivia ao seu lado, passeava com ela, “conversava” com ela, lhe dava carinho, pulava de alegria e enchia seus dias de felicidade.
Ela compreendeu isso muito bem.
E eu também compreendi a lição do chalé.
Da próxima vez, não vou confiar imediatamente.
Primeiro vou verificar, depois decidirei se posso confiar naquelas pessoas.
Mas é assim que nós, seres humanos, somos.
De cada erro precisamos tirar uma lição.
E, como diz outra amiga minha:
Tentativa e erro. Tentativa e erro.
É assim que vamos construindo a filosofia da sabedoria.
Com todo o meu Amor,
vossa Jardinera.