
🎧 Ouça a Mensagem na voz de La Jardinera:
Minhas queridas sementes,
A Mensagem de hoje é uma história, como todas, muito bonita. Mas lembrem-se sempre de ler aquilo que não está escrito, porque é aí que está a importância e a verdade.
Em uma cidade muito bonita havia um homem, poderíamos dizer um senhor, que encontrou em sua casa um relógio de bolso.
Vocês conhecem aqueles relógios de bolso que as pessoas usavam há muitos e muitos anos, com uma correntinha, presa à casa do botão ou colocada em um pequeno bolso? Quando queriam saber as horas, tiravam o relógio, olhavam e depois o guardavam novamente.
Era um relógio muito antigo, muito antigo. Esse senhor o encontrou enquanto fazia alguns reparos em sua casa. Abriu uma gaveta e lá estava ele.
Disse: — Nossa, que bonito!
Abriu o relógio e viu as iniciais gravadas.
Então comentou: — Que lembranças tão bonitas… Mas ele não funciona.
Pensou: — Claro, é muito antigo. Deve estar faltando alguma peça. Vou levá-lo ao relojoeiro.
Quando chegou ao relojoeiro, disse:
— Bom dia. Trouxe este relógio, que pertence à minha família. É uma herança, mas não funciona. Pensei que talvez o senhor tivesse a peça de que ele precisa.
O relojoeiro respondeu:
— Que curiosidade!
E começou a examiná-lo.
A oficina do relojoeiro tinha de tudo: relógios de todas as épocas, ponteiros, engrenagens, peças de todos os tipos.
Ele olhou para o relógio e disse:
— Que relógio mais curioso… Já não se usam mais relógios como este.
O senhor respondeu:
— É verdade.
Então o relojoeiro disse:
— Que bonito! Vou examiná-lo, senhor.
Pegou o relógio e o desmontou.
Observou a mola da corda, muito fina, muito delicada. Estava inteira, como nova, funcionando perfeitamente. Examinou os ponteiros: estavam em perfeito estado. Verificou toda a mecânica e disse:
— Mas a mecânica está perfeita. Não há absolutamente nada de errado com ele, senhor.
O homem perguntou:
— Mas então por que ele não funciona? Eu gostaria tanto que funcionasse.
O relojoeiro olhou para ele e respondeu:
— Senhor, preciso lhe dizer um detalhe. O relógio está perfeito e funciona maravilhosamente bem. A única coisa de que ele precisa é que lhe deem corda. Este relógio não funciona com pilhas, nem baterias, nem eletricidade. Basta o senhor girar esta pequena roda, dar-lhe corda, e então poderá ouvir o seu tic-tac.
Depois perguntou:
— Senhor, alguma vez o senhor parou para escutar o tic-tac de um relógio?
O homem olhou para ele e respondeu:
— Mas que pergunta o senhor me faz? Hoje os relógios são digitais. Hoje já não se escuta o tic-tac. Hoje os relógios são eletrônicos, são máquinas.
O relojoeiro respondeu:
— Justamente por isso estou lhe dizendo isso. O tic-tac deste relógio acompanhou todas as gerações da sua família. Fez o coração de todos bater mais forte.
Quando uma criança ia nascer, olhavam para o relógio, ouviam o tic-tac e sabiam exatamente os minutos e as horas.
Quando iam se casar, olhavam para o relógio e ouviam o tic-tac, o tic-tac… E o coração batia mais forte.
Quando iam à estação esperar um ser querido e amado, era o tic-tac, o tic-tac do relógio que os fazia sentir vivos e perceber que o tempo estava passando.
Mas havia uma frase escrita no relógio, muito importante.
Então o relojoeiro perguntou:
— Senhor, o senhor leu o que está escrito aqui?
O homem respondeu:
— Sim, mas não entendo o que significa.
Na tampa do relógio estava escrito:
“O tempo é ouro, mas não pode ser pago com moedas. O tempo é ouro, mas não pode ser pago com moedas.”
O homem respondeu:
— Não sei o que isso quer dizer.
Mais uma vez o relojoeiro explicou:
— O tempo é ouro, senhor. Cada tic-tac é ouro. O senhor não pode pagar esse som com dinheiro. Só pode pagá-lo com o seu coração.
É isso que essa frase significa.
O tic-tac que hoje já não ouvimos deu lugar apenas às máquinas, à indiferença, aos robôs.
Mas este relógio nos faz sentir que estamos vivos, que vivemos e que temos a responsabilidade de lhe dar corda para que continue funcionando.
E hoje, o que fazemos?
Nós simplesmente nos conectamos, damos tudo por garantido… mas não vivemos.
Tornamo-nos artificiais.
Por isso o seu relógio não funcionava: porque o senhor não lhe dava corda.
O homem pegou o relógio e perguntou:
— Quanto lhe devo?
O relojoeiro respondeu:
— Apenas uma coisa, por favor: lembre-se do tic-tac e dê corda ao relógio todos os dias. Assim o senhor sentirá que está vivo. Nada mais. Sentirá que está vivo.
A moral desta história é que nós esquecemos de ouvir os pássaros, e eles estão vivos.
Esquecemos de ouvir as pessoas que estão falando conosco.
Fazemos de conta que escutamos, mas no mesmo instante já esquecemos.
Esquecemos de contemplar a natureza.
Esquecemos de viver.
Por isso é tão importante que tenhamos sempre uma referência. Que todos os dias saudemos o sol, mesmo sem vê-lo. Que simplesmente agradeçamos a Deus. Que nos recordemos de que somos seres humanos, porque a humanidade já está se perdendo.
Esta é a Mensagem de hoje, e a compartilho com muito amor.
Vossa Jardinera