February 26, 2025

O autêntico pensamento

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🎧 Ouça a Mensagem na voz de La Jardinera:

Minhas queridas sementes,

Passeando pela montanha (esta, aqui mesmo, estou no meio da montanha), vi uma raposa. Vocês conhecem esse animal que tem caudas maravilhosas e lindas? Aqui na Europa, elas são vermelhas, como loiras, como ruivas, muito bonitas.

Em países como a Sibéria, onde faz muito frio, e na Escandinávia, elas são brancas, porque a natureza precisa ajudar o que é natural e quem vive em meio à natureza pura. Lá, elas são brancas por causa da neve, já que passam muitos meses nela, e isso as ajuda a se camuflar e confundir quem pode caçá-las, os predadores.

Aqui na Europa, não. Elas são magníficas, sua cor varia do marrom ao ruivo, e a cauda tem muito valor. Agora estão protegidas, mas antes eram usadas para fazer casacos e, especialmente, estolas. Não sei como se chama em outros idiomas, mas a estola é algo que se coloca ao redor do pescoço, feita com a cauda da raposa, e costumava ter até a cabeça do animal presa por um belo broche. Claro, isso foi no século passado ou no início deste, era algo muito bonito. Mas vamos à nossa história.

Nesta montanha, havia uma ninhada de raposas lindíssimas. Elas vivem no subsolo, em pequenos buracos na montanha, como cavernas muito fechadas, buracos bem pequenos. Ali, elas nascem, e a mãe sai primeiro para buscar comida. Quando as filhotes já têm idade para comer, a mãe as convida a sair e lhes ensina sobre a vida: primeiro os perigos, depois como reconhecer seu maior inimigo e os lugares onde nunca devem ir.

O maior inimigo de todos os animais sempre foi e sempre será o ser humano. Por uma razão ou outra: por troféus, por conquista, por veneno, por produtos químicos usados como herbicidas, o que for. A verdade é que elas precisam sempre tomar muito cuidado com os humanos. Depois, claro, vêm os predadores maiores que elas.

Nesta ninhada, havia várias irmãs, todas muito bonitas, mas entre elas havia uma que nasceu sem cauda. E, para uma raposa, a coisa mais bonita e valiosa é a cauda, porque é seu orgulho, sua beleza. Com ela, podem conquistar, encontrar um parceiro e se exibir.

Essa pequena raposa sofria muito porque não tinha cauda. Quando estava com suas irmãs, sempre reclamava: — Não tenho cauda, não sou como vocês, sou diferente, zombam de mim. Vocês sabem o que pensei? Todas a olharam e perguntaram:

— O quê? — Não brincamos juntas? — Sim. — Não rimos juntas? — Sim. — Não seguimos nossos pais para aprender a caçar e reconhecer nosso território? — Sim. — Então por que complico minha vida? — Porque quero ser como vocês. — E sabem o que pensei? Por que vocês não cortam suas caudas? Assim, seremos todas iguais. Façam isso! Vocês verão como ficaremos lindas e felizes!

As irmãs a olharam, mas não responderam. Entre si, pensavam: “Por que cortaríamos? Se é a nossa beleza? Por que vamos nos livrar dela, se nascemos assim?”

Mas ela insistia: — Cortem! Cortem! Vamos ficar muito bonitas, lindas e todas iguais!

Ela repetia tantas vezes que ninguém tinha coragem de dizer nada, até que, de repente, uma irmã falou: — Responda com sinceridade: por que quer que cortemos nossas caudas? É apenas para se parecer conosco ou tem algum interesse nisso? — Você nos pede isso por interesse? E então a pequena raposa respondeu: — Sim, é por interesse, porque assim ninguém mais zombaria de mim.

Mas a irmã insistiu: — Agora me responda: você cortaria sua cauda se pedíssemos?

E, sem pensar, ela disse: — Não, eu não cortaria.

— Então, por que nos pede para cortarmos a nossa?

E naquele momento, todas as irmãs se uniram e disseram “não”.

— O que temos que fazer é te ajudar, continuar como somos e nunca mais rir de você. Se alguém zombar de você, nós a defenderemos e diremos o quão valente você é por assumir sua condição. Porque você é igual a nós, só que carrega isso de maneira digna.

Minhas sementes, muitas vezes pensamos como esses animais tão inteligentes, mas também astutos. A raposa sempre foi conhecida por sua astúcia, mas também é linda e inteligente. E nós somos iguais. Pelo interesse, fazemos quase tudo; pela conveniência, fazemos ainda mais. Mas esse interesse sempre nos leva a querer alcançar nossos próprios objetivos.

Não pensamos se os outros concordam ou se é bom para eles. Não, primeiro pensamos no que nos convém. Por isso, devemos refletir muito. Se escolhemos nascer autistas, aceitemos isso como pais, como família, porque essas crianças não são diferentes das outras. Elas têm algo especial: inteligência, sabedoria, mas expressam isso de forma diferente de nós e de outras crianças. Elas são especiais, são crianças especiais.

Então, quando vocês tiverem um complexo, um defeito, ou sentirem vergonha de algum detalhe do seu corpo ou físico, transformem isso em algo belo. Não escondam e não peçam nada por interesse. Que as pessoas reconheçam que vocês são únicos, únicos.

E é isso que vocês são: únicos e sempre serão. Porque são seres de Luz, e na Luz nascemos, e à Luz retornamos. Isso é o mais belo e puro.

Com todo o meu amor,

Sua Jardinera

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